A Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) sediou, nos dias 19 e 20 de maio, o 19º Encontro do Fórum Florestal de São Paulo, instância regional do Diálogo Florestal, fórum de âmbito nacional, que reúne empresas  e organizações não governamentais, com o objetivo de construir visão e agendas comuns entre os participantes.

Também estão entre os objetivos do Diálogo Florestal, a promoção de ações efetivas associadas à produção florestal, a ampliação da escala dos esforços de conservação e restauração do meio ambiente, com geração de benefícios para os participantes e para a sociedade em geral.

Os fóruns regionais têm uma pauta específica de discussão, levando em conta as peculiaridades e necessidades locais. Durante o evento realizado na Fepaf, foram debatidos temas como o Cadastro Ambiental Rural, previsto no Código Florestal; a contribuição do Fórum para o processo de certificação florestal FSC® (Forest Stewardship Council®), o sistema de certificação florestal de maior credibilidade internacional e o protocolo agroambiental do governo do estado de São Paulo.

Também foi discutida a questão do uso de agrotóxicos e transgênicos no perímetro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Botucatu. “O Plano de Manejo da APA de Botucatu, aprovado em fevereiro, trazia diretrizes que proibiam o uso de transgênicos e restringia o uso de agrotóxicos, com a tendência de interromper seu uso no futuro”, explica Juliana Griese, atual secretária-executiva do Fórum Florestal de São Paulo e representante do Instituto Itapoty, sediado em Itatinga/SP.

Segundo Juliana, o conteúdo do Plano de Manejo gerou divergências, pois as empresas florestais alegaram sofrer um impacto econômico muito grande com a adoção de tais diretrizes. As empresas, através da Fiesp, apresentaram uma proposta para Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) solicitando a exclusão dessas diretrizes e criação de um grupo de trabalho para discutir o tema. Por sua vez, a aprovação da proposta da Fiesp pelo Consema gerou desconforto e indignação entre as ONGs.

Essa é uma questão do Estado, do Consema, mas entendemos que quanto mais a sociedade civil participar desse processo, mais esse processo será legítimo”, analisa Juliana. “O Fórum Florestal promoveu a discussão entre ONGs e empresas para buscar pontos de convergência que tragam benefícios para esse processo de aprovação do plano de manejo”.

Para embasar os debates, durante o evento, aconteceram palestras sobre temas como a construção e aprovação do plano de manejo, com o professor Paulo Kageyama, da USP. Fernanda Rodrigues, representante do FSC, falou sobre o uso de agrotóxicos e transgênicos no sistema de certificação florestal. “É uma percepção muito alinhada com o previsto no plano de manejo e as empresas florestais já estão trabalhando para evitar o uso de agrotóxicos e transgênicos”, afirma Juliana. Também houve a apresentação de Everton Soliman, da Suzano Papel e Celulose, sobre os procedimentos da empresa em relação manejo integrado de pragas.

Ao final dos debates ficou decidido que o Fórum Florestal de São Paulo fará uma moção para o Consema, pedindo agilidade e transparência na atuação desse Grupo de Trabalho e sugerindo que as normas FSC sejam incorporadas ao plano de manejo. Para Juliana Griese, a questão ainda terá outros desdobramentos. “A dificuldade será levar essas normas para outras culturas. Na região de Botucatu a predominância é de áreas de pasto, laranja e cana de açúcar, setores que ainda não tem uma cultura de certificação. Esse será o maior desafio”.

Sérgio Santa Rosa
FCA/Botucatu