No mês de julho, o Secovi-SP organizou uma missão à Amazônia para visitar a Precious Woods (Mil Madeiras Preciosas). A organização é certificada desde 1997 pelo FSC®.

Participaram desta missão, Hamilton Leite, vice-presidente de Sustentabilidade do Secovi (Sindicato da Habitação), Paulo Lisboa, arquiteto, integrante do Conselho Deliberativo da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e do Conselho Deliberativo do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável), Rodrigo Fonseca, da Borges Fonseca Engenharia e coordenador-adjunto do grupo de Novos Empreendedores do Secovi-SP, Andrea Mifano, da Cym Yves Mifano Empreendimentos Imobiliários e integrante do grupo de Novos Empreendedores do Secovi-SP, Haroldo Leite, do Banco Morgan Stanley, Paulo Bittencourt, do Conselho Diretor do FSC Brasil, Fernanda Vaz, analista de desenvolvimento de negócios do FSC Brasil, e Jeanicolau Lacerda (PW). Todos foram recebidos pelo diretor geral da PW no Brasil, João Cruz.

Para se ter noção dos benefícios ambientais, a Precious Woods possui 500 mil hectares em Itacoatiara, dos quais 209 mil são áreas manejáveis. A área não manejável é preservada e pode se constituir de áreas de alto valor de conservação, matas ciliares etc.
A PW realiza previamente uma medição, identificação e localização de todas as árvores com mais de 40 cm de diâmetro. Além disso, informações referentes ao relevo, presença de espécies protegidas, cursos d’água, entre outros dados são base para o complexo processo de definição de quais árvores serão colhidas.

Além dos benefícios ambientais, a PW cuida das questões sociais e trabalhistas. Todos os funcionários são registrados, utilizam equipamentos de proteção individual, recebem treinamento profissional, ficam instalados em bons alojamentos e recebem boa alimentação.

No caso específico da PW, é emblemático o caso do único processo de regularização fundiária feito até hoje na Amazônia, onde pequenos proprietários tiveram todo o processo de titulação das terras encaminhado pela empresa. Os resíduos da serraria são transformados em energia elétrica pela BK Energia, empresa parceira da PW. A energia gerada supre a demanda da própria serraria e de 50% da demanda do município de Itacoatiara, que possui cerca de 100 mil habitantes, substituindo o diesel, fonte de energia usada anteriormente, já que a cidade se encontra isolada da rede elétrica nacional.

Confira os depoimentos de quem foi:

“A missão que fizemos ao Amazonas foi muito especial. O grupo teve a oportunidade de conhecer ‘ao vivo’ todo o processo de planejamento, extração, transporte e beneficiamento sustentável da madeira, realizado na propriedade da Precious Woods, em Itacoatiara. Além disso, soubemos que podem ocorrer falhas e fraudes ao longo do processo “legal” - quando há emissão do Documento de Origem Florestal (DOF).

Ou seja: o fato de possuir o DOF não significa que extração foi realizada dentro de um modelo aderente às premissas da sustentabilidade. A madeira pode ser legitimamente explorada e não ser sustentável. Por exemplo, quando é legalmente permitido desmatar 20% de uma propriedade, isso não é sustentável, mas é legal.

Portanto, as empresas do setor imobiliário - grande consumidor desse insumo - precisam ter certeza de que a madeira utilizada em seus empreendimentos é verdadeiramente legal, não se contentando apenas com a existência do DOF. Assim, sempre que possível, é melhor comprar madeira com certificação florestal, como a do FSC, a qual comprova que a produção atendeu às premissas da sustentabilidade, pois seguiu a norma da certificadora e teve todo processo auditado por terceiros.” – Hamilton Leite.

“Difícil descrever a complexidade da experiência ao presenciarmos um gigante amazônico cair por terra. No começo, ficamos admirados pelo planejamento e qualidade do trabalho profissional executado pela equipe responsável na extração do indivíduo: identificação e escolha da espécie, avaliação do tipo de incisão, preservação dos outros pares, definição precisa do local da queda, segurança dos envolvidos, etc. Em seguida, surpreendidos com o desenrolar da cena: o início do corte, o desligar da serra, a leve inclinação, o apito, o estalo, a velocidade da queda, galhos riscando a floresta, o barulho surdo do baque. Com a visão do gigante caído, vem o sentimento de ausência. A altivez e exuberância de segundos atrás, agora jaz no chão. Resta o toco com sua plaqueta de identificação, registro este que o indivíduo carregará mesmo depois de manufaturado, garantindo assim sua rastreabilidade. Junto ao toco, surge a luz e forma-se o vazio, espaço vital para que outros indivíduos possam crescer com o passar do tempo. Inicia-se novo ciclo: a ausência transforma-se em sucessão e permanência. Temos assim, com a extração certificada, a continuidade da floresta para as gerações futuras!” – Paulo Lisboa.

"Ficou comprovado que o manejo sustentável da floresta para a produção de madeira ajuda ativamente na preservação da Amazônia. Entretanto, os altos custos de logística para que esse produto chegue do Norte ao Sudeste e a concorrência de madeiras de procedência duvidosa fazem com que a sua competitividade seja seriamente prejudicada. Uma missão dessas serve para entender o que está envolvido nessa equação, quais são os gargalos (como o elevado valor cobrado no deslocamento pelos portos) e como podemos ajudar, sendo uma contribuição direta que o setor imobiliário dá para a preservação da Floresta Amazônica.” – Andrea Mifano.

"Visitar o local onde é feita a extração de madeira da Amazônia, pela empresa Precious Woods, de maneira sustentável e certificada FSC, foi uma experiência marcante! Conhecemos todos os processos na empresa, desde o mapeamento da área a ser manejada, passando pela extração, até a expedição da madeira manufaturada. Certamente, é um exemplo a ser seguido e nós, consumidores, temos de aprender a valorizar esse magnífico trabalho." – Rodrigo Fonseca.