Talvez você fique surpreso/a em saber que oficialmente o setor florestal global emprega aproximadamente 13.7 milhões de trabalhadores registrados. Essa estatística não me surpreende, na verdade me preocupa; porque eu acredito que essa estatística não inclui o grande número de homens e mulheres que trabalham informalmente na indústria.

Às mulheres em especial é comumente oferecido trabalho informal, trabalho este que não é regularizado ou seguro. Por qual motivo? Isso se dá devido ao fato de que a desigualdade social é ainda muito comum na indústria florestal e os papeis que podem ser desempenhados por mulheres sofrem grande falta de apoio das atuais políticas florestais.

Tendo tido contato primeiramente com a indústria florestal indonésia em 1997, eu acompanhei diferentes temas relacionados a gênero, saúde e segurança surgirem de tempos em tempos. Na minha opinião, não foi feito o suficiente ao redor do mundo para avançar de diálogos esporádicos sobre mudanças para estratégias de igualdade de gênero, que possam mudar a vida das mulheres e homens, trabalhadores florestais iguais. É minha esperança que os poucos exemplos positivos ajudarão a indústria a caminhar na direção certa.

Qual é a questão atual?

Ao redor do mundo, existe uma série de equívocos de que o trabalho florestal é muito pesado ou que o ambiente é muito perigoso para mulheres. Isso, para mim, é somente um ponto de vista arcaico.

Mas apesar dessas observações serem retrógradas, infelizmente elas evidenciam um significativo gargalo entre o que as empresas em países desenvolvidos oferecem em termos de igualdade de gênero com políticas que beneficiam as mulheres e a situação atual em países em desenvolvimento.

Como trazer a igualdade de gênero para o setor florestal?

Sendo indonésia e trabalhando na região, eu tive uma experiência em primeira mão da perspectiva de trabalho florestal em um país em desenvolvimento. Países em desenvolvimento podem aprender muito de países desenvolvidos onde os governos tomaram ações afirmativas para oferecer educação, treinamento e cuidados infantis para mulheres trabalhadoras e seus filhos.

Suécia e Noruega, por exemplo, foram um dos primeiros países a discutir questões referentes à igualdade de gênero no setor florestal, o que levou à políticas locais, hoje legitimadas. Na verdade, a Suécia estabeleceu diferentes estratégias nos anos 90 para fortalecer as trabalhadoras florestais. O objetivo dessas estratégias é também, claro, promover a conscientização do manejo florestal responsável.

Está claro para mim que a estrada a seguir deve focar na divulgação do acesso à educação, treinamento e trabalhos disponíveis, incluindo posições de manejo e liderança. A falta de acesso ou conscientização significa que treinamento e oportunidades de trabalho são igualmente invisíveis ou simplesmente não acessíveis. Em zonas rurais de países em desenvolvimento em particular, a suposição dominante é de que as trabalhadoras florestais podem não ter capacidade de executar as mesmas tarefas (e com a mesma qualidade) que os homens.

Enquanto produzir guias de conduta e estratégias para divulgar vagas de emprego e questões de igualdade de gênero não resolverão o problema da noite pro dia, elas ajudarão a dissipar mitos e estereótipos, enquanto se formaliza e melhora a indústria. Melhorar as condições de trabalho para os trabalhadores florestais no board – especialmente para os mais vulneráveis , como os imigrantes, mulheres e jovens – irá beneficiar a produtividade e a sustentabilidade do setor.

Quais são os benefícios de ter mais mulheres trabalhando na indústria florestal?

Assim como os homens, as mulheres têm muitas características emocionais que podem contribuir – por exemplo, é provado que as mulheres são mais propensas a serem diplomáticas e empáticas em seu jeito de se comunicar. Isso pode ampliar a eficiência do trabalho, e além disso, o recente declínio reportado no número de pessoas trabalhando na indústria poderia ser diminuído se as mulheres pudessem treinar e se candidatar para funções não-administrativas.

Para mim, o recente Guia para Promover a Igualdade de Gênero nos Padrões Florestais Nacionais do FSC é um passo importante na direção certa. Não porque é o primeiro critério a discutir essa questão, mas porque é o mais específica. É um passo para encorajar e fortalecer a igualdade de gênero no setor florestal, oferecendo estratégias específicas para grupos de desenvolvimento de padrões, uniões comerciais e empresas para que adotem e adaptem esses critérios.

Direcionando as questões de gênero no setor florestal em um nível global em 2016, quase vinte anos desde que eu comecei a trabalhar na Indonésia – a minha esperança é que em 2020, a imagem da indústria florestal possa melhorar drasticamente. Nessa época, eu quero me surpreender: mas não pelo número de trabalhadores florestais, mas em quão longe nós caminhamos na implementação de estratégias de igualdade de gênero.
Sobre a autora, Rulita Wijayaningdyah:

Wijayaningdyah vem trabalhando com grupos de trabalhadores florestais desde 1998. Nesta função, ela testemunhou como o processamento de madeira ilegal e não sustentável levou a um rápido declínio das indústrias de madeira indonésias e demissões em massa. A partir dessa experiência, ela busca garantir que a certificação florestal o manejo responsável estejam incluídos na sua agenda.

Aqui você pode achar mais informações sobre a Rulita e sua função como Presidente do Board Internacional de Diretores no FSC.