A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), um dos mais importantes instrumentos para proteger animais e plantas do desaparecimento, terá, pela primeira vez, um representante do Brasil no Comitê Científico.
A pesquisadora do Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Vera Rauber Coradin, vai ocupar uma das duas vagas destinadas a representante das Américas do Sul, Central e Caribe durante os próximos três anos. Formado por 12 especialistas, o Comitê reúne integrantes da África, Ásia, Europa, América do Norte e Oceania.
É esse grupo que alerta sobre espécies que são objeto de comércio internacional, presta aconselhamento científico e elabora resoluções a serem consideradas pelas Conferências das Partes (COP) da Cites, ocasião em que os 178 países-membros tomam decisões que podem restringir o comércio de plantas e animais em risco de extinção.
O mogno, o pau-brasil, o jacarandá-da-bahia, o cedro, o pau-rosa, o xaxim, além de todas as orquídeas, cactus e algumas bromélias têm o comércio internacional controlado devido à inclusão na Cites. O Brasil é signatário do acordo desde 1975.
Identificação da madeira
Vera é doutora em Ecologia e há mais de 30 anos atua nas áreas de Morfologia e Anatomia da Madeira. Desde 2004, a especialista exerce atividades ligadas à Cites, quando o LPF passou a contribuir, como autoridade científica brasileira da Cites, na elaboração de pareceres científicos ligados à emissão de licenças para produtos ou subprodutos de espécies listadas na Convenção em relação a espécies madeireiras.
Esses pareceres avaliam, por exemplo, se o manejo da espécie florestal atende às normas legais, e se a forma como o produto foi obtido não contribui para sua extinção. Com base nessas informações, o Ibama, que é a autoridade administrativa da Cites no país, concede ou não a autorização para exportação. Segundo a coordenadora de Acesso aos Recursos Florestais e Recuperação de Áreas Degradadas do Ibama, Claudia Mello, que trabalha com as solicitações de licenças, a escolha de uma pesquisadora brasileira é um reconhecimento da qualificação dos pesquisadores do país.
É, ainda, segundo a coordenadora, uma oportunidade para fortalecer a região e a atuação brasileira na Convenção. “A escolha permite um trabalho mais ativo e propositivo na Cites. O Brasil terá a oportunidade de trabalhar para o fortalecimento da região, no âmbito da Convenção”, afirma.
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