Você consegue se lembrar onde estava em junho de 1992? Eu estava na Rio-92 - Conferência sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro. Funcionários do governo, empresas e representantes de ONGs do mundo todo se reuniram para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo na época. Não é surpresa que a conquista do manejo sustentável e a proteção das florestas tropicais do mundo eram tópicos que estavam no topo da agenda.

Mas, apesar de muito falatório, nada foi acordado que criasse responsabilidades reais. A tensão entre a Europa e América do Norte e os países em desenvolvimento simplesmente impediu que os governos chegassem a acordos comuns sobre a forma de abordar a questão do manejo florestal internacionalmente.

Em suma, os governos não conseguiram distinguir o que era realmente importante. 
Como membro da delegação dinamarquesa na conferência, eu testemunhei essa latência em primeira mão. Mas nem tudo estava perdido. Onde os governos falharam, o mercado decidiu tomar uma atitude sobre a proteção das florestas; resolveu agir.

Este movimento foi assumido por uma série de ambientalistas bastante envolvidos, indivíduos socialmente orientados e empresas eco-conscientes, que se reuniram para discutir o assunto. Pouco tempo depois, em 1994, o FSC nasceu ...

Isso não quer dizer que tudo andou de vento em popa desde então. Meu primeiro envolvimento com o FSC, em 1995 ou 1996, foi uma visita ao Reino Unido. Alguns entusiastas do FSC queriam me mostrar o que haviam conquistado - a criação de uns dois hectares de floresta certificada com algumas centenas de árvores, e uma pequena serraria para fazer parte do conjunto. Pioneiro, sem dúvida. Mas, como uma pessoa de fora, minha pergunta foi: o que isso vai virar?

Apesar de o FSC ter conseguido garantir algumas certificações grandes na Bolívia, e conquistar o engajamento da indústria sueca, do lado de fora ainda parecia que não iria causar grande impacto.

Em 2012 porém, minha percepção se provou completamente errada. Quando fui abordado com a perspectiva de me juntar ao FSC, percebi que o que eu tinha inicialmente entendido como um nicho europeu, havia decolado globalmente. Quando olhei para o que o FSC havia se tornado, fiquei realmente espantado com o progresso. Entre 2007 e 2012, o FSC quase dobrou sua área de florestas certificadas, de 80 milhões para 150 milhões de hectares (atualmente, 180 milhões). E havíamos emitido cinco vezes mais certificados em 2012 do que em 2007.

Outro marco foi o compromisso da IKEA, hoje a maior varejista de móveis do mundo, firmado com o FSC. Agora, a empresa é um dos maiores compradores mundiais de madeira certificada pelo FSC. De fato, grandes avanços.

E agora, onde estou em 2014, mais de vinte anos depois?
Comemorando o sucesso e o triunfo do FSC sobre a adversidade. Desta vez, não apenas como parte integrante, mas também como um verdadeiro defensor da capacidade do FSC para transformar uma questão de nicho em uma questão de apelo global.

Sobre o Kim
Kim é o Diretor Geral do Forest Stewardship Council, cargo que ocupa desde outubro de 2012. Ele foi selecionado para suceder Andre de Freitas, com o apoio unânime do Conselho de Administração do FSC, que reconheceu que o histórico comprovado de Kim como líder global em meio-ambiente e desenvolvimento o tornam extremamente bem qualificado para consolidar a posição do FSC como líder global na certificação florestal responsável.