No dia 25 de agosto (sexta-feira), foi lançando em Belém (PA), o Observatório do Manejo Florestal Comunitário e Familiar (OMFCF), uma iniciativa que conecta organizações da sociedade civil, instituições de ensino e pesquisa para lutar pela defesa do uso sustentável dos territórios comunitários no Pará.
A construção do Observatório teve o protagonismo de 14 organizações comunitárias, que representam 2.500 famílias de 11 territórios, entre unidades de conservação, assentamentos rurais e glebas estaduais no Pará. Essas áreas somam mais de 3 milhões de hectares de florestas sob a gestão de organizações comunitárias. Nesses territórios vivem povos tradicionais e agricultores familiares que geram renda a partir de atividades sustentáveis, que geram produtos madeireiros e não madeireiros.
Embora a produção dessas comunidades valorize a conservação dos recursos naturais, elas estão em áreas de forte pressão do desmatamento. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), no ano de 2016, o desmatamento voltou a crescer no Pará, alcançando 21% do território, o que equivale a 3 mil quilômetros quadrados. Somando as últimas três décadas, os números do desmatamento marcam 263 mil quilômetros quadrados de floresta derrubada, área superior ao território do estado de São Paulo.
Entre as principais frentes de atuação do OMFCF estão: gerar e compartilhar informações para capacitar e fortalecer as comunidades em relação às técnicas de manejo; o desenvolvimento institucional para atuação sociopolítica e incidência nas políticas públicas voltadas para a agenda do manejo florestal comunitário e familiar.
O Observatório deve contribuir para a valorização e garantia dos direitos e dos modos de vida de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais da Amazônia. “Queremos que mais organizações façam parte dessa atuação coletiva em torno da promoção do manejo florestal, como uma estratégia relevante, consistente e viável para a sustentabilidade da região amazônica”, comenta Manuel Amaral Neto, Coordenador Executivo do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), instituição organizadora do evento de lançamento.
O lançamento e o processo de construção do OMFCF teve o apoio da Climate and Land Use Alliance (CLUA).
