Por Época
A Aldeia do Mutum fica no meio da Floresta Amazônica do Acre. Para chegar lá saindo da capital Rio Branco, é preciso pegar cinco horas de estrada até Cruzeiro do Sul, para depois pegar mais três horas de estrada até a Vila de São Vicente, onde se pega uma voadeira e viaja pelo rio por mais oito horas até enfim chegar à Terra Indígena do Rio Gregório. A distância, entretanto, não impediu a chegada de um invasor incômodo: o lixo. Sem ter condições de lidar com o plástico, as latas e pilhas que chegam às suas terras, os indígenas do povo iauanauá estão fazendo um financiamento coletivo para tentar resolver o problema.
Na sociedade tradicional indígena, não existia lixo. O que as pessoas tiravam da floresta voltava para a floresta. Essa dinâmica mudou com o contato com o Estado brasileiro e com a chegada de turistas. O povo iauanauá é muito aberto – diferentemente de outras tribos, que muitas vezes são mais reservadas – e recebe turistas interessados no ritual da ayahuasca. Muitas vezes eles trazem produtos e não se dão conta de que não há como descartá-los. O lixo também chega por intermédio do governo. A aldeia recebe do governo alimentos para merenda escolar. É muito comum essa merenda vir embalada em plástico ou em latas. E, por fim, há produtos usados pelos indígenas em suas atividades que chegaram à aldeia por comércio, por exemplo lanternas. Eles não têm onde descartar pilhas e baterias, que são tóxicas e podem contaminar o meio ambiente.
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