“Sou paulistano, casado e pai de um filho de quase 2 anos. Saí de São Paulo há duas décadas, morei 14 anos em Belém, agora vivo em Brasília. Minhas mudanças costumam envolver choques culturais e climáticos. Já estou ambientado à capital, mas não há nada como morar em uma cidade amazônica”
Conte algo que não sei.
Aquela árvore lá (aponta para uma à sua frente, na Lagoa Rodrigo de Freitas) é a pachira aquática, muito presente no Rio, apesar de ser da Amazônia. Eu diria que 99% das plantas e árvores urbanas nas cidades brasileiras são de origem exótica. Quando conto que manga e jaca são nativas de outro país, as pessoas têm vontade de me bater.
O sistema Deter mostrou um aumento de 122% no desmatamento da Amazônia em agosto e setembro. O que o número nos diz?
Existem vários órgãos que monitoram o desmatamento, é que nem inflação. Se analisarmos sistemas como Deter e Imazon, há sim uma tendência de aumento. Isso vem após uma redução de 80% desde 2004, quando tivemos um pico de 27 mil quilômetros quadrados desmatados. Caiu para cerca de 5 mil ao ano. Isso é ótimo, mas eu encaro essas taxas com otimismo moderado.
Por quê?
Precisamos avaliar os índices dos próximos anos para entender o que está havendo. Conseguimos reduzir muito a devastação, mas não a levamos a um nível residual. Avançamos em frentes como monitoramento e ordenamento do território, concedendo títulos fundiários. Mas não em mecanismos, iniciativas e projetos para valorizar a floresta.
Você fala em criar alternativas econômicas na região?
Esse é o ponto fundamental. Se não temos alternativa econômica de peso, não há como pôr o desmatamento na lona, e precisamos fazer isso acontecer a todo custo. Conseguimos reduzi-lo por causa de esforço na fiscalização, mas há muito trabalho ainda pela frente.
Como é possível “valorizar a floresta” de forma correta?
Os países que dominam o mercado florestal, principalmente as nações nórdicas, exportam produtos variados. Acredito, sim, no manejo florestal em larga escala. A produção de resinas, cipós, produtos cosméticos em geral, além de serviços como o turismo, são essenciais para a preservação sólida da floresta.
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