O IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola lançou, no Seminário “Emissões Brasileiras de Gases de Efeito Estufa – 2014”, realizado pelo Observatório do Clima, no último dia 19, as estimativas das emissões para o setor agropecuário, que pela primeira vez, traz dados da série histórica de 1970 a 2013 e a distribuição das emissões por estados.
“O período analisado permite ver claramente o efeito do avanço da fronteira agrícola”, diz Marina Piatto, engenheira agrônoma, responsável pela Iniciativa de Clima e Agricultura do Imaflora, Instituto que coordenou o estudo.
Durante o período de 1978 a 2004, o topo do ranking foi ocupado, alternadamente, por Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Contudo, a série histórica mostra o avanço das emissões em direção ao cerrado e à Amazônia brasileira, levando o Mato Grosso à posição de estado que mais emite gases de efeito estufa no Brasil, em razão do seu extenso rebanho bovino e da produção de grãos.
Em 2013, os estados do Pará e Rondônia, que emitiam volumes muito baixos desses gases, no início da série, chegaram, respectivamente, ao sexto e ao décimo lugar no ranking de emissores brasileiros. Esse crescimento se deve principalmente a expansão do rebanho bovino nos últimos anos.
Pecuária e agricultura– O trabalho, que contou com a colaboração do pesquisador Ciniro Costa Junior, foi baseado no Terceiro Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa, elaborado pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação. A partir dos dados analisados, é possível constatar que no ano de 2013 a pecuária de corte foi responsável por 64% das emissões de GEE no Brasil, seguida pelas emissões de gado de leite que chegam a quase 12% do total das emissões brasileiras.
Outra importante fonte de emissões de GEE são os adubos nitrogenados, muito utilizados nas culturas de milho, café, cana e algodão por exemplo. Ao longo dos anos, nota-se um aumento progressivo das emissões provenientes deste tipo de fertilizante, somente entre 2012 e 2013 o aumento foi de 7,7%.
Também em 2013 o cultivo de arroz irrigado foi responsável por 2,3% do total de GEE do Brasil, onde 95% deste tipo de cultivo está concentrado no Rio Grande do Sul. Já a queima da cana-de-açúcar representou 1,2% das emissões totais. A contribuição da cana nas emissões vem caindo ao longo dos anos devido à legislação que exige a redução progressiva da queima da cana e aumento da mecanização da colheita de cana verde.
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