A Secretária Executiva do FSC Brasil participou hoje de um encontro promovido pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 que debateu a necessidade das empresas investirem em cadeias de suprimentos sustentáveis.  Até dezembro de 2015, serão realizadas 85% de todas as compras do Rio 2016. No total, serão mais de 300 milhões de itens e 2500 fornecedores. Para garantir a aquisição de produtos e serviços que estejam de acordo com a sua política de sustentabilidade, há mais de três anos o Rio 2016 vem trabalhando com parceiros como FSC, SEBRAE e CEBDS para o desenvolvimento e capacitação do mercado para atendimento aos seus requerimentos de compra. 

No final de 2012, FSC e Rio 2016 firmaram uma parceria para que toda madeira e produtos de origem florestal adquiridos pela organização sejam certificados. A ideia é estimular a certificação como forma de inovação e criar demanda para modelos de negócios social e ambientalmente mais responsáveis. Grandes eventos, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, são considerados essenciais para estimular esse tipo de iniciativa pela visibilidade e o gigantesco poder de compra. 

Os Jogos também são uma oportunidade e incentivo a quebra de paradigmas, como o de que produtos verdes são mais caros. Eles são, sim, economicamente viáveis. “Mesmo que você pague mais por um produto sustentável, se ele te proporciona maior eficiência energética, economia de água e frete, produz menos resíduos, tem menos custo com manutenção, traz menos riscos para a imagem da sua empresa, isso gera economia”, diz João Saravia, gerente geral de Suprimentos do Rio 2016. “Comprar com sustentabilidade não é mais caro, mas é preciso olhar para isso de outra forma”, completa. 

Sérgio Dalla Costa, da empresa Mottiva, que esteve presente no evento e se certificou com o apoio do Sebrae, já forneceu 215 mesas para o comitê. “Esta não foi uma venda única. Para nós foi a venda! A Rio 2016 nos motivou a dar um salto de qualidade”, disse ele. Além dessas vantagens diretas para quem compra e, logicamente, para quem vende, muito mais gente é beneficiada com compras responsáveis. “As mesas compradas pelo Rio 2016 são de MDF, madeira que vem de florestas plantadas”, diz Fabíola Zerbini, secretaria executiva do FSC Brasil. “No Brasil, esse setor emprega mais de 600 mil pessoas e praticamente 80% dele é certificado FSC. Isso significa que 80% desses 600 mil trabalhadores têm seus direitos garantidos e as comunidades do entorno estão sendo respeitadas”, acrescenta. Isso sem contar que falar de floresta em pé é falar de manutenção de regime hídrico, ou seja, água. 

Para se certificar, não é preciso ser grande. “As micro e pequenas empresas precisam acreditar que podem entrar no jogo”, diz Nayara Montandon, gerente do SEBRAE.  Em março, por meio do programa Sebraetec, oito micro e pequenas empresas moveleiras se certificaram em apenas um mês. “É claro que ainda não temos o conceito da sustentabilidade inserido nas cadeias produtivas como um todo. Mas, para muitos, ele já não está muito fora do que é praticado”, pondera Fabíola. E a expectativa é alta. Até agora, 17 empresas já se certificaram para fornecer seus produtos e serviços para os Jogos e outras 30 estão no processo. E, logicamente, organizações já certificadas e consumidores em geral também se beneficiam de um mercado verde mais aquecido.