O objetivo do encontro será realizar um dia de campo em meio ao erval presente na propriedade da família Guadagnin, que serve como base para a produção de erva-mate nativa cultivada em sistema agroflorestal. No local é feito o manejo natural, valorizando o uso de coberturas verdes, o sombreamento, a proteção de fontes, o reaproveitamento da água da chuva e, consequentemente, a biodiversidade e a sustentabilidade.

O sistema possibilitou à Ervateira Putinguense receber, em 2003, a certificação FSC® - Forest Stewardship Council®, uma forma de atestar o cultivo em consórcio com espécies florestais e alinhado às técnicas que garantem a sustentabilidade da produção. No local será possível, de acordo com o assistente técnico da Emater/RS-Ascar em Manejo de Recursos Naturais, Marcos Schäfer, observar a mata ciliar, a diversidade de pequenos animais, fungos e insetos, a riqueza do solo e a abundância da água, tudo em um sistema em que os ervais estão integrados de maneira natural ao ambiente.

No local são 69 hectares de ervais em sistema agroecológico, que possibilitam a produção de dois mil quilos de erva-mate nativa ao mês, que é comercializada ao valor de R$ 12,00. "É uma produção limitada, mais característica dos meses de inverno, e que tem alta procura, com clientes ligando de outros estados para pedir reserva", explica uma das sócias da agroindústria, a bióloga Micheli Guadagnin da Silva. Além disso, a família tem contrato com uma empresa de cosméticos, que trabalha exclusivamente com a erva-mate certificada, o que limita ainda mais o volume a ser comercializado no varejo.

Como alternativa, a ervateira produz um tipo intermediário de erva-mate - com rendimento de 28 mil quilos ao mês -, com o envolvimento de agricultores que utilizam um sistema muito próximo do agroecológico, que é comercializada a R$ 9,00, enquanto a tradicional custa R$ 6,00 o pacote. "Além de quatro sócios, possuímos seis funcionários e 50 agricultores que nos fornecem a matéria-prima", explica Micheli. Mas o carro chefe é mesmo a erva-mate nativa, que permanentemente desperta o interesse da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de universidades e de outras empresas ligadas ao setor, que realizam pesquisas, estudos e visitas guiadas no local.

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