Por Exame
Cerca de 60% das áreas desmatadas da Amazônia são ocupadas por pastos. É o resultado de uma herança histórica. Por décadas, a derrubada de florestas funcionou como instrumento de ocupação do território brasileiro. O lema “integrar para não entregar”, que ganhou força durante o governo militar, instituiu a cultura da pecuária extensiva, que vê a terra como uma espécie de matéria-prima infinita. No entanto, a história do agricultor rondonense João Ramos, de 40 anos, mostra que é possível reverter essa lógica.
De Porto Velho, Ramos migrou para o município amazonense de Apuí, no sul do estado, em 2003, numa das últimas levas de pequenos produtores que chegaram à região em busca de um lote de terra num assentamento da reforma agrária. Com cerca de 600 000 hectares de extensão, a área começou a ser aberta em 1983 com a promessa de alocar 7 500 famílias do sul do país e, mais tarde, do estado vizinho, Rondônia.
Até o começo da década de 80, o município nem sequer existia. Hoje, Apuí é o segundo maior responsável pelo desmatamento do estado, atrás de Lábrea. Assim como a maioria de seus pares, Ramos se viu estrangulado pelo modelo da pecuária extensiva dominante na região. A prática degrada o solo em poucos anos e só se torna viável com a abertura de mais áreas de floresta. Os mais de 3 000 assentamentos da Amazônia responderam por 28% das derrubadas em 2016.
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