Essa busca está embasada nos ideais de defesa da floresta e desenvolvimento sustentável, iniciados e promovidos por Chico Mendes e posteriormente pelo movimento dos seringueiros. O principal objetivo é garantir a permanência das famílias na floresta, organizadas socialmente, através do fortalecimento da economia florestal.
Com base nessa visão, foi constituída em agosto de 2005, a COOPERFLORESTA - Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários, cujo principal objetivo é desenvolver políticas comuns de estruturação do manejo florestal madeireiro comunitário, nos processos de licenciamento, produção, beneficiamento e comercialização, encurtando o caminho até o mercado e agregando valor à produção florestal, consolidando dessa forma a cadeia produtiva comunitária. Com isso pretende-se garantir condições de permanência dos povos da floresta nas suas comunidades, conservando sua cultura e costumes, viabilizando o extrativismo sustentável como atividade econômica.
A COOPERFLORESTA congrega hoje 10 comunidades organizadas em 06 Associações de base extrativistas, totalizando cerca de 200 famílias cooperadas. Atualmente, 04 dessas Associações têm suas áreas certificadas pelo selo FSC®. As outras 02 associações estão em processo de certificação florestal FSC. A Cooperativa também possui certificação FSC de cadeia de custódia.
A certificação FSC também está começando a trazer preços mais elevados para madeira. "Não apreciamos preços altos de mercado, mas estamos começando a ver algum reconhecimento de pessoas que compram de nós, tanto na exportação como no mercado interno", diz Evandro Araújo, superintendente da COOPERFLORESTA.
Quase metade da renda das famílias da comunidade é derivada da venda de madeira, sendo a outra metade proveniente do gado, da venda de castanha do Brasil, látex e outros produtos agrícolas. Excepcionalmente para as comunidades do Acre, todos os produtores recebem rapidamente o pagamento por sua madeira, geralmente até no máximo 30 dias após o término do período de extração de madeira.
Esforços pioneiros
Desde os anos 80, o governo brasileiro reconhece o papel das comunidades florestais na proteção do meio ambiente, através da criação de áreas de conservação e projetos de assentamento. A COOPERFLORESTA começou como uma cooperativa de processamento de madeira, utilizando madeiras colhidas pelas comunidades certificadas, e alcançou a certificação FSC de cadeia de custódia em 2006.
Em 2009, a Cooperativa assumiu a responsabilidade por toda a certificação da cadeia de custódia, desde os produtores até os clientes finais. Bem como as suas principais funções de facilitar a colheita, processamento, logística e licenciamento de produtos florestais, a Cooperativa também agrega valor, identifica e satisfaz a procura de nichos de mercado diferentes, permitindo que as comunidades controlem a produção através da gestão responsável dos recursos florestais.
Mudanças positivas na organização
Evandro Araújo, explica que a certificação trouxe outros benefícios, e não somente preços mais altos no mercado local:
"A certificação FSC trouxe um monte de mudanças positivas para a comunidade. Estamos agora mais organizados, a comunidade tornou-se mais conscientes do valor de seus produtos, sua história e seu trabalho. Quando penso em como as coisas eram antes da certificação, vejo que hoje há um maior conhecimento sobre as florestas e sobre o quanto vale a pena conservá-las! Os administradores florestais também estão mudando a forma de pensar: além de valorizar as florestas, eles agora também valorizam suas atividades".
Para organizações como a COOPERFLORESTA, o desenvolvimento recente das normas brasileiras para manejo florestal de pequena escala e baixa intensidade (SLIMF) é um passo muito positivo que vai facilitar a certificação da produção baseada na comunidade. A COOPERFLORESTA também visa à criação de um projeto piloto para estabelecer uma linha especial de crédito para o financiamento de produtos certificados.
Volumes e preços praticados pela COOPERFLORESTA
Atualmente a Cooperativa conta com volume de cerca de 30.000 metros cúbicos de madeira licenciada e/ou em processo de licenciamento. Desse volume, espera-se extrair 20.000 metros cúbicos, sendo 12.000m³ pertencentes às comunidades dos Projetos de Assentamentos Agroextrativistas (PAEs) Porto Dias, Remanso, Chico Mendes e Equador. O restante do volume esperado (8.000m³) será da Resex Chico Mendes, tornando-se a primeira madeira comunitária de uma Reserva Extrativista no Brasil como parte do suprimento de uma indústria madeireira, cuja participação acionária terá representatividade comunitária.
Para a madeira fora da Resex Chico Mendes (dos PAEs), a negociação está em processo final de conclusão com a empresa Complexo Industrial Florestal Xapuri (Antiga Piso Xapuri) e outros compradores em menor escala. O preço é diferenciado por classificação, sendo de R$ 210,00 a R$ 260,00/m³ para madeira em tora de média e alta densidade, entregue nas esplanadas centrais de cada comunidade; e R$ 140,00 a R$ 160,00/m³ para madeira em tora de baixa densidade, também entregue nas esplanadas comunitárias. A madeira da Resex Chico Mendes será negociada em pé (licenciada) por um valor de R$ 60,00 a 80,00/m³. A parte da madeira serrada que a Cooperativa vai destinar ao mercado de São Paulo e Rio Grande do Sul será negociada entre R$ 1.200,00 a 1.750,00/m³ em prancha.
