Por Bob Barbosa
Conforme apontou a advogada da Coomflona, Ana Nery Conrado, que ajudou a conduzir a primeira assembleia, realizada pela manhã, foram alterados pontos significativos do estatuto. Um deles é o que aborda os objetivos gerais e específicos da cooperativa: “Nós temos outras atividades previstas para 2017, como a movelaria, a serraria e a produção de polpas e viveiro de mudas florestais, que não estavam contempladas no estatuto anterior. Essa alteração estatutária veio complementar o que já estava sendo previsto para 2017”.
Também foi colocada em votação a manutenção ou a exclusão da exigência para que o cooperado ou cooperada tenham que ter pelo menos o Ensino Fundamental completo como requisito para fazer parte da diretoria ou do Conselho Fiscal. Nesse sentido, a assembleia decidiu pela manutenção da exigência.
Pedro Pantoja, coordenador operacional da Coomflona, isto explica a razão pela qual a maioria tenha decidido por manter esse ponto: “os cooperados precisarão se capacitar cada vez mais, pois, pelo tamanho da cooperativa, é necessário que tenhamos pessoas com mais qualificação para análise de contas e para negociar com empresas, fornecedores e financiadores.”
Pedro Pantoja também ressaltou a importância de que, a partir dessa assembleia, o Estatuto passa a prever a produção e a comercialização de mudas de essências florestais e a produção de polpas. “Tendo isso no estatuto, haverá uma abertura, por exemplo, para a cooperativa construir um viveiro de mudas e finalmente poder comercializar essas mudas”, completa Pedro, que é oriundo de Jamaraquá, uma das comunidades da Flona Tapajós.
Para Manoel de Sousa, presidente da Federação das Organizações de Comunidades Tradicionais da Flona Tapajós, “essa atualização do Estatuto é uma cobrança da própria Federação, que é a concessionária da área da Flona, e nós ficamos muito satisfeitos de hoje ter sido aprovada a mudança estatutária.”
A outra reunião, que lotou o auditório do STTR de Santarém e realizada na sequência da primeira, foi a Assembleia Geral de 2017, que encaminhou e aprovou o planejamento estratégico e anual da Coomflona, assim como a prestação de contas do ano anterior.
Nessa segunda assembleia houve também a eleição e a posse da nova diretoria. Apenas uma chapa havia se inscrito para o pleito. Raimundo Jean Feitosa, da comunidade do Maguari, foi reconduzido ao cargo para mais um mandato à frente da cooperativa.
Aprovada pela maioria dos 205 cooperados e cooperadas que estavam aptos a votar, a chapa é composta, além do presidente Raimundo Jean Feitosa, pelos seguintes cooperados:
• Ednaldo Batista, da comunidade de Pedreira, vice-presidente;
• Antônio Merilson Vieira, da comunidade de Pini, tesoureiro;
• Norma B. do Patrocinio, da comunidade de Pini, primeira secretária;
• Paulo Juvan, comunidade de Piquiatuba, vice-secretário;
• Marquizanor Santos, comunidade de Prainha 1, vice-tesoureiro.
Segundo Angelo Ricardo, engenheiro ambiental da Coomflona, “vários temas foram tratados nessas duas assembleias, tanto no âmbito da cooperativa, como também naquilo que diz respeito aos interesses coletivos da Floresta Nacional do Tapajós. A cooperativa tem uma grande participação nos anseios desta Unidade de Conservação, há toda uma história de lutas e resistência dos seus moradores. A cooperativa é hoje um dos instrumentos para desenvolver a geração de renda e alcançar melhorias de estradas, escolas e barracões comunitários - toda essa parte de infra-estrutura das comunidades que a cooperativa tem apoiado”.
A Coomflona, que conta com 205 cooperados e cooperadas, todos oriundos de comunidades da Floresta Nacional do Tapajós, possui desde 2013 um selo que é uma verdadeira conquista. Seu Manejo Florestal é certificado pelo FSC® – Forest Stewardship Council®, uma organização reconhecida internacionalmente, que para emitir o selo, avalia se o Manejo está dentro dos seus princípios e critérios do que é “ambientalmente adequado, socialmente benéfico e economicamente viável”.
“O selo FSC é um diferencial para que a cooperativa busque acessar mercados mais exigentes e promover o uso da madeira certificada como um material renovável, que contribui para a geração de renda e valorização das florestas. Vários países, principalmente da Europa, estão procurando comprar mais dos empreendimentos que tenham a certificação, pois através de seu sistema de certificação, o selo FSC garante a origem e o processo produtivo dos produtos florestais, permitindo que empresas e consumidores tomem decisões conscientes e seguras de compras. Isso, para nós, acaba sendo uma garantia de que o Manejo da Coomflona é diferenciado”, conclui Ângelo Ricardo, que exerce na cooperativa a função de gestor ambiental.
