De 11 a 13 de agosto aconteceu a 6ª Greenbuilding Brasil Conferência Internacional & Expo, que teve início com a palestra de Marina Silva, em que temas como sustentabilidade, participação política, democracia, ética, consumismo e inclusão social foram abordados.

O FSC Brasil participou da feira no estande do Programa Madeira é Legal. O estande foi uma oportunidade de estar em contato direto com o público, divulgar e esclarecer a certificação e o trabalho do FSC.

No dia 12, o FSC promoveu a palestra “Madeira na Construção: desafios e experiência em 200 canteiros de obra”, que trouxe para discussão o uso responsável da madeira nos canteiros de obras, com Carolina Graça, engenheira agrônoma e consultora do FSC Brasil; Marco Lentini, Coordenador do Programa Amazônia da WWF-Brasil; e Renato Salgado, consultor do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE).

Renato apresentou dados sobre a Amazônia e sobre como o CTE atua, com consultorias para empreendimentos sustentáveis na construção civil.

Marco Lentini afirmou que hoje, o estado de São Paulo e a construção civil são os maiores consumidores de madeira amazônica, e nos próximos anos o consumo interno aumentará, influenciando diretamente o futuro da Amazônia. No setor, infelizmente, ainda existe um alto consumo de madeira ilegal. Criação de acordos e compromissos corporativos, o ordenamento fundiário e adequação ambiental das terras amazônicas e a formação de “blocos” de produção florestal foram sugestões do palestrante para combater esta ilegalidade e difundir o consumo de madeira responsável na construção civil.

Carolina Graça abordou o cenário florestal no Brasil. O Brasil é o segundo país com maior extensão de floresta do mundo, atrás apenas da Rússia. Possui, sozinho, 12% das florestas mundiais. “Nós somos um país florestal e nós não temos consciência disso”, afirmou. A palestrante explicou que há, sim, como usar madeira de floresta nativa de uma forma sustentável. Não manejar a madeira nativa pode desvalorizar a floresta, torná-la alvo de ilegalidade madeireira e abrir caminhos para pecuária e agricultura na Amazônia.

Carolina esclareceu a importância do selo FSC e que a certificação é uma forma eficiente de combater ilegalidades trabalhistas, sociais, ambientais e fiscais. “As organizações certificadas passam por um rigoroso controle para que toda a sua operação seja legal e para que os impactos ambientais sejam mitigados.”

O FSC também organizou uma roda de conversa no estande e o tema foi desafios e oportunidades do uso de madeira certificada FSC na construção civil. Os convidados desta conversa foram Jean Feitosa, presidente da Coomflona (Cooperativa Mista da Flona Tapajós), Jeanicolau Lacerda, representando a Mil Madeiras Preciosas (Precious Wood), Daniel Ohnuma, gerente de obras sustentáveis do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações) e Fernanda Rodrigues, coordenadora técnica do FSC Brasil, como mediadora.

Jean Feitosa ressaltou a importância da certificação para os benefícios sociais e ambientais, citando também estudos de impacto, que são exigidos pela certificação. “É difícil se certificar, mas é o ponto de partida para agregar valor ao produto”, afirmou.

Segundo Jeanicolau, a Precious Wood faz parte de um grupo suíço e já veio para o Brasil com a ideia de certificação em mente. “Éramos vistos como loucos na Amazônia. As pessoas falavam: por que investir em infraestrutura para o trabalhador?”. Ele também afirmou que a organização se destaca na região em que atua pelos benefícios sociais que a certificação traz e destacou a forte relação com a comunidade. “O sonho da família é que o filho vá trabalhar na empresa”.

Para Daniel, o problema é que na construção civil, ainda não há percepção do valor da madeira certificada e que a madeira ilegal entra no mercado pelo baixo preço. 

Participaram da conversa arquitetos, engenheiros, estudantes e consultores de todo o país. “As mudanças começam com as organizações que querem se diferenciar, mas a busca é de melhoria de vida para todos”, afirmou uma participante.

Para Marcio Nahuz, pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), que esteve presente na roda de conversa, quem exige a certificação é o consumidor e esta cobrança está cada vez maior. A certificação é a garantia de que a produção seguiu padrões de qualidade e assegurou benefícios ambientais e sociais. “Eventos como este projetam a importância da questão”.