Segundo o engenheiro, que há 38 anos trabalha com estruturas de madeira para residências, temos um mercado em potencial imenso, mas precisamos aprender a agregar valor ao nosso produto e não simplesmente vender a matéria-prima. “A certificação precisa fomentar a indústria local. A meu ver, não existe interesse em tirar a madeira da marginalidade diante de outros lobbies mais poderosos como os do aço ou do alumínio”, afirmou.
Para Souza Júnior, a questão precisa ser trabalhada na base, com a criação de um centro de excelência para a formação de profissionais. “Não estou falando de workshops, precisamos desenvolver cursos com um ou dois anos de duração para especializar esse pessoal. Já tentamos tirar do papel essa iniciativa uma dezena de vezes, mas falta coordenação”, disse. Segundo ele, a capacitação não incluiria somente arquitetos e engenheiros, mas carpinteiros. “A questão está na base. Temos de retomar a escola da madeira. Não temos mais entendidos do assunto no país”, acrescentou. Nesse sentido, Rafik Saab Filho, do Sindimasp (Sindicato do Comércio Atacadista de Madeiras do Estado de São Paulo), sugeriu uma parceria com a Esalq. Animado com a sugestão, Fábio de Albuquerque, da Ecolog, disse ter um local a disposição para colocar o projeto em prática.
Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp (Comitê de Meio Ambiente) do SindusCon-SP, defendeu um trabalho integrado com produtores e distribuidores para mudar a imagem do setor. “O uso da madeira legal ajuda na manutenção das florestas, mas esse conceito não é difundido como deveria. A partir de encontros como esse esperamos ajudar na conscientização sobre o tema e na busca por ações para fomentar o uso do insumo no setor”.
Na opinião de Ricardo Russo, analista de conservação da WWF, um setor florestal bem organizado e produtivo garantirá a manutenção da floresta Amazônica. Russo informou que a WWF já trabalha em um projeto piloto com duas empresas do Pará, duas do Mato Grosso e duas do Acre para a criação do sistema de reastreabilidade da madeira, integrando produtores e fornecedores. “A intenção é lançar um portal reunindo as duas pontas, garantindo madeira de qualidade para cadeia.” A expectativa é de que o portal entre no ar em meados de junho, ancorado nos sites do Sindimasp (na ponta dos consumidores) e da Unifloresta (na ponta da produtores).
Também participaram da mesa redonda Rafik Hussein Saab, do Sindimasp, Cristiano Valle, da Tora Brasil, Fabíola Zerbini, do FSC® Brasil, Milene Abla, da Vivá Arquitetura, Luiz Zanchet e Lucas Zancket, da Zanchet Madeiras. Ao final do encontro os convidados participaram de um coquetel no estande do programa oferecido pelo FSC Brasil.
Além da apresentação de diversos trabalhos e resultados atingidos pelas entidades, no estande do Madeira É Legal o público pode conhecer espécies madeireiras sustentáveis que podem ser usadas na construção civil. Um totem interativo também disponibilizava informações sobre os programas Amazônia entre outros produtos da FSC. O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), por sua vez, expôs o Catálogo de Madeiras Brasileiras para a Construção Civil, uma lista de espécies madeireiras, originárias de operações florestais sustentáveis, que podem ser utilizadas no mercado para aumentar o uso sustentável deste recurso.
Fonte: SindusCon SP
