Por Página 22

A madeira mais “barata” do mercado.

Aos que reclamam que a madeira certificada, rastreável, é muito cara, fica a lição: a ilegal, que não paga impostos, grila terras, usa trabalho escravo, desmata, extermina a biodiversidade e contamina o solo, essa sim é que é “barata” demais

O Brasil possui hoje mais de 500 milhões de hectares de florestas, mas menos de 1% disso tudo é manejado de forma responsável. Ao mesmo tempo em que o País pode se tornar um dos líderes mundiais da chamada economia verde, detém uma das maiores taxas de conversão de áreas de florestas para diversas finalidades. Ou seja, estamos bem longe do almejado desmatamento zero.

A ilegalidade – de posse de terras, de exploração de madeira, de mão de obra, de compra sem documentação – é a principal responsável por este quadro. Como ninguém quer ver seu nome associado a um crime, na dúvida, menos gente compra produtos madeireiros do Brasil. No final das contas, a insegurança em relação a todos os elos da cadeia florestal, desde a origem até os processos de produção, passando por serrarias, transporte, falta de infraestrutura e, inclusive, as próprias dificuldades inerentes ao setor, acaba desencorajando investimentos.

Atualmente, é impossível competir com a atividade ilegal. E aos que reclamam que a madeira certificada, rastreável, é muito cara, fica a lição: a madeira ilegal, que não paga impostos, grila terras de unidades de conservação, usa trabalho escravo, desmata, extermina a biodiversidade local e contamina o solo, essa sim é que é “barata” demais. Mas a sua conta, subsidiada pelo meio ambiente e pelo desequilíbrio social, virá – e virá com juros para todos nós.

Entre 2004 e 2012, quando houve uma implantação efetiva de políticas públicas de controle e redução do desmatamento, registrou-se de fato uma diminuição das taxas de desmatamento na Amazônia. Mas, de lá para cá, o que vemos é um retrocesso, alcançando índices alarmantes em 2016, quando o aumento foi de 29% em relação ao ano anterior, provocado, sobretudo, pela diminuição das ações de comando e controle governamentais; a não criação de novas Unidades de Conservação e a frágil gestão das existentes; pelo baixo investimento e ausência de incentivos para a conservação das florestas e para atividades que poderiam funcionar como salvaguarda para o uso responsável da floresta.

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