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Thursday, 02 September 2021
Histórias da Floresta

Histórias da Floresta

No Dia da Amazônia, FSC® Brasil lança série de vídeos com histórias inspiradoras


No dia 5 de setembro é comemorado o dia da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo – cuja maior extensão está aqui no Brasil. E não faltam motivos para homenageá-la: a Floresta Amazônica guarda uma biodiversidade enorme, tem uma série de funções sociais e econômicas e ainda oferece serviços ecossistêmicos essenciais a nós, humanos, como regulação do clima, sequestro de carbono, conservação do solo e dos recursos hídricos.

Para provar que há caminhos e ótimos exemplos a serem seguidos – e reforçar que o Dia da Amazônia é todo dia - o FSC Brasil aproveita esta data especial para divulgar a série de vídeos “Histórias da Floresta”, que conta a trajetória das comunidades ribeirinhas amapaenses que vivem do açaí, e dos indígenas Paiter Suruí, manejadores de castanha. O objetivo é inspirar, informar e estimular novos negócios com o manejo florestal responsável.

HISTÓRIAS DA FLORESTA
Assista os vídeos da série #HistóriasDaFloresta no canal do FSC Brasil no Youtube, ou CLIQUE AQUI!

Mais de 20 milhões de pessoas moram na chamada Amazônia Legal e a floresta é responsável pela geração de milhares de empregos, diretos e indiretos. Seu uso sustentável tem um impacto significativo – que poderia ser bem maior – e gera outros muitos milhões de reais em arrecadação de impostos, que retorna em serviços e benefícios para população. A Amazônia é um verdadeiro ativo, que poderia colocar o Brasil em posição privilegiada na nova bioeconomia. A questão é mantê-la produtiva e conservada, ao mesmo tempo.

Um grande exemplo de que isso é absolutamente viável é a Amazonbai, uma cooperativa de pequenos produtores de açaí, que fica no arquipélago do Bailique e na região do Beira Amazonas, em Macapá, no estado do Amapá.

A história da Amazonbai deixa claro o impacto que as mãos das pessoas têm na natureza. Até a década de 1990, o que movimentava a economia local era a extração desordenada do palmito, o que fez aumentar o desmatamento e ameaçar a segurança alimentar das populações locais. A mudança veio e transformou o açaí, alimento cotidiano, no grande negócio da região.

Agora, a produção do chamado ouro roxo respeita o ciclo natural da floresta e trouxe emprego, renda e mais consciência ambiental. Hoje eles não vendem apenas o fruto, mas também a polpa, que tem maior valor agregado. Além disso, buscaram e conquistaram a certificação FSC para o manejo responsável dos açaizais, e podem demonstrar ao mundo que possuem boas práticas, conservam todas as formas de vida, cuidam de seus resíduos e, ainda, viram a produtividade aumentar.

A Amazonbai também foi a primeira no Brasil a utilizar o Procedimento FSC de Serviços Ecossistêmicos para verificar seus impactos positivos na manutenção dos estoques de carbono e proteção à biodiversidade. Essa conquista contou com o apoio do projeto “Ação do Setor Privado para a Biodiversidade” (Private Business Action for Biodiversity - PBAB, na sigla em inglês), iniciativa global que promove metodologias e ferramentas para favorecer a manutenção da biodiversidade, produção e comercialização. Ele faz parte da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI, sigla em alemão), que conta com o apoio do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU, sigla em alemão) e é implementado no âmbito da parceria entre o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e o FSC Brasil.

É imprescindível refletir sobre os atributos ambientais, econômicos e sociais da Amazônia – e não só dela – para que cada vez mais pessoas, e instituições, e os próprios governos, compreendam que a conservação desses ecossistemas é fundamental para a manutenção da nossa vida”, diz Daniela Vilela, diretora executiva do FSC Brasil. “Mas essa conservação só será possível quando a floresta em pé for valorizada, e isso sempre acontece quando ela também é produtiva”, completa.

Outro case de sucesso é a produção certificada de castanha da Cooperativa de Produção e Extrativismo Sustentável Garah-Itxa, na Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, estado de Rondônia. A castanha é típica da Floresta Amazônica e no caso do povo indígena Paiter Suruí, especificamente, tem um papel fundamental não apenas na geração de renda, mas também de evidenciar a sua ligação com a floresta. Como nessa região há uma pressão enorme de madeireiros, caçadores e mineradores ilegais, encontrar novas fontes de renda é a única chance de continuar ali. A partir do momento em que o seu manejo responsável é reconhecido, a comercialização destas castanhas gera um enorme impacto na qualidade de vida das aldeias. Em 2019, foram vendidas 25 toneladas de castanha, mas a meta é vender entre 30 e 40 toneladas num futuro próximo.

Somos parte e dependemos da Amazônia. E mais do que isso, somos responsáveis por derrubá-la ou valorizá-la em pé. Não se trata de substituir os produtos florestais por outras matérias-primas. A floresta é riquíssima e precisa ser bem aproveitada. É justamente quando tudo aquilo que ela nos oferece tiver o valor que merece, que o interesse em conservá-la será maior do que o de destruí-la.


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