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Monday, 19 April 2021
No dia do índio, FSC® Brasil destaca importância da produção de castanha na conservação da Amazônia

Isaque

Manejo responsável de povos indígenas encontra na certificação oportunidade de crescimento


A Amazônia é berço de uma biodiversidade sem igual. Carrega uma ancestralidade milenar de espécies de fauna e flora, além de ser origem e morada de diferentes povos indígenas que sempre encontraram na floresta o necessário para a sua subsistência, com uma cultura de extração que não toma da natureza mais do que ela pode oferecer.

Estudos arqueológicos apontam vestígios do cultivo de diversos alimentos na floresta amazônica há mais de nove mil anos. Ao que tudo indica, para garantir colheitas mais fartas já existia, inclusive, um plano de manejo das áreas. E engana-se quem pensa que esses modelos produtivos milenares e tradicionais desapareceram completamente, soterrados pela exploração mecanizada e desmedida dos recursos naturais. Elas ainda sobrevivem e reforçam a importância dos pequenos produtores e comunidades tradicionais na conservação das florestas e no desenvolvimento da economia.

De Cacoal, em Rondônia, até Aripuanã, no Mato Grosso, por exemplo, encontra-se o território indígena “Sete de Setembro”, lar do povo indígena Paiter Suruí, pioneiros em soluções ambientais. Em 2016, a Associação Soenama, que reúne as tribos Iratana e Mauíra, conquistou a certificação FSC de manejo florestal e cadeia de custódia, para uma área de 91 hectares onde são produzidos babaçu e castanha-do-brasil in natura. De acordo com Isaque Surui, presidente da Associação, o objetivo da certificação é valorizar os produtos, mostrando que eles são oriundos de uma fonte responsável e de qualidade.

Poucos anos depois, a Associação Metareilá, que representa as aldeias Tikã, Lapetanha, Joaquim e Apoena Meireles, e também produz e colhe a castanha-do brasil, obteve a certificação de quase 500 hectares. O líder Rubens Naraikoe Suruí acredita ser importante esse reconhecimento do trabalho realizado pela comunidade. “Nós, indígenas, tiramos o nosso sustento da própria floresta e demos um passo muito grande ao conseguir a certificação da nossa castanha”, conta ele. “Queremos que ela seja reconhecida e que possamos vender por um preço justo no mercado nacional e internacional”.

Viabilizar formas alternativas de sustento por meio do manejo responsável de produtos não madeireiros, como a castanha, permite que o modo de vida dessas populações indígenas e tradicionais, que naturalmente promovem a conservação ambiental, seja mantido. Em casos como esses, a certificação não só melhora a gestão do território e a produção, mas contribui para o fortalecimento da identidade cultural, o engajamento do grupo e a proteção e conservação da floresta. Afinal, sem fontes de renda, muitas dessas comunidades somem, sucumbindo a pressões externas como o desmatamento e a mineração ilegais e a grilagem.

E se hoje o mundo tenta correr atrás do prejuízo e reverter os efeitos negativos que a exploração irresponsável do meio ambiente causou ao planeta, conceitos que nos parecem modernos, como sustentabilidade e consumo consciente, são tão antigos quantos os povos indígenas. A própria natureza funciona de forma colaborativa e, principalmente, equilibrada. No momento em que podemos recomeçar de forma mais cuidadosa, mais inteligente, é importante aliar o passado com os novos conhecimentos e tecnologias para a construção de um futuro mais verde e mais justo.

As certificações florestais têm como propósito promover e validar um ciclo de produção e consumo que respeita as necessidades ambientais, econômicas e sociais e funcionam como uma garantia para o consumidor, atestando que aquele produto é fruto do bom manejo. Como o potencial econômico da castanha-do-brasil, especificamente, mais de outros produtos florestais também, ainda é muito grande, a certificação funciona como um diferencial do negócio, que pode impactar no preço e nas vendas. Segundo o International Nut Council (INC), o mercado de alimentos saudáveis cresce 12,3% por ano em média e o consumo de oleaginosas, cerca de 6% ao ano em diversos países.

O manejo florestal responsável e certificado da castanha-do-brasil possui um legado cultural que une povos indígenas e a natureza há centenas de anos, servindo como um farol para a produção responsável de produtos não madeireiros.


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