Fonte: Stéfanie da Siveira / Uol
O ranking da certificação Leadership in Energy & Environmental Design (Leed) foi realizado pela ONG Green Building Council Brasil (GBC Brasil).
De acordo com o conselho, a preocupação com a sustentabilidade na construção civil vem crescendo no país, principalmente com relação às obras para a Copa de 2014. Atualmente, todos os estádios da competição estão em processo de certificação pelo selo Leed.
Uma construção sustentável é caracterizada pelo uso racional dos recursos, com aproveitamento da água da chuva e tratamento do que for utilizado na obra. Além disso, também estão entre os itens que conferem o selo a reciclagem de produtos, reutilização de materiais e a destinação correta de resíduos.
Após a construção, os empreendimentos ainda podem ser considerados sustentáveis com a utilização de luminárias e sistemas de ar condicionado com maior eficiência, entre outros. De acordo com o diretor técnico e educacional do GBC Brasil, Marcos Casado, 720 empreendimentos estão em processo de certificação no país e outros 100 já receberam a identificação. Para ele, as empresas vêm buscando esse reconhecimento tanto em função da preocupação com o ambiente como também pela redução de custos.
Segundo ele, inicialmente a despesa com a obra pode ser de 0,5% a 7% maior do que o normal. Porém, a longo prazo, reduz-se de 8% a 9% o custo operacional médio; em 30% o consumo de energia; de 30% a 50% o consumo de água; e de 70% a 80% os resíduos que vão para aterros sanitários.
"Cerca de 21% de toda a água tratada do país é utilizada hoje na construção civil, e a aplicação de medidas de sustentabilidade pode reduzir em até 50% esse consumo nos empreendimentos", destacou Casado.
O GBC acompanha todo o projeto do empreendimento, desde a escolha do terreno à construção e operação, avaliando o desempenho em todos os períodos. Depois, o local também pode obter a certificação para operação e manutenção. Apesar da boa colocação, os números de empreendimentos certificados representam menos de 2% do mercado de construção civil do país. Nos Estados Unidos, este percentual é de 10% a 15%.
A estimativa da ONG, no entanto, é de que até o final do ano o Brasil chegue ao terceiro lugar no ranking mundial de construções sustentáveis. Residências também estão buscando certificação, e já existem nove projetos em andamento no país.
Em grandes construções, a maioria dos empreendimentos certificados estão em São Paulo, mas também há grande representatividade no Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal, Ceará e Rio Grande do Sul.
Em relação à madeira certificada, o Brasil é o 5º colocado no mundo e o líder na América Latina em área total certificada pelo Forest Stewardship Council® (FSC®). O selo FSC é um sistema de garantia internacionalmente reconhecido, que atesta a procedência da madeira certificada que acrescenta valor às edificações.
De acordo com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, haverá um aumento de 67% no consumo da madeira amazônica certificada FSC nos próximos três anos no país.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, realizada em 2012, apontou que a emissão de relatórios de sustentabilidade já é feita por 62% das companhias nacionais.
Outra pesquisa de 2012, feita pela National Geographic Society em 17 países, indica que o consumidor brasileiro é o terceiro mais consciente, perdendo apenas para os indianos e chineses.
